Memória e demências
Esquecimento depois dos 60: quando é sinal de alerta
Esquecer um nome de vez em quando pode acontecer, mas mudanças que pioram ou atrapalham a autonomia merecem avaliação médica.

Esquecimentos ocasionais depois dos 60 anos, sem piora e sem impacto nas atividades diárias, nem sempre indicam uma doença. A avaliação médica é importante quando a dificuldade se torna frequente ou progressiva, interfere na autonomia ou aparece junto com confusão ou mudanças importantes de comportamento.
Que tipo de esquecimento pode acontecer com o envelhecimento?
Às vezes, a pessoa demora para lembrar um nome ou onde deixou um objeto, mas se recorda depois. Um episódio isolado como esse, sem outras mudanças, não permite concluir que exista uma doença de memória.
O que merece atenção é uma mudança persistente em relação ao funcionamento habitual. Por exemplo, esquecer repetidamente informações que acabou de receber pode ser diferente de não se lembrar de imediato de um detalhe antigo e recordá-lo mais tarde.
É útil observar o padrão ao longo do tempo, em vez de se prender a um único lapso. A família pode notar mudanças que a própria pessoa ainda não percebeu, mas não deve concluir por conta própria que se trata de demência ou Alzheimer. Há diferenças entre o envelhecimento, alterações de memória e quadros que prejudicam outras funções do pensamento. A página sobre sinais precoces da doença de Alzheimer explica alguns aspectos que podem ajudar a entender essa distinção.
Quais mudanças indicam que é hora de investigar?
Alguns sinais justificam marcar uma avaliação, principalmente quando se repetem ou se tornam mais frequentes:
- Fazer as mesmas perguntas várias vezes, mesmo depois de receber uma resposta.
- Ter dificuldade crescente para acompanhar uma conversa ou lembrar informações recentes.
- Esquecer compromissos importantes com frequência, apesar de antes conseguir organizá-los.
- Encontrar dificuldade para realizar tarefas habituais que antes eram feitas sem ajuda.
O impacto na autonomia é um aspecto importante. Uma falha ocasional não é igual a uma dificuldade nova e repetida para organizar a rotina, acompanhar compromissos ou lidar com atividades que a pessoa costumava realizar por conta própria. A família pode observar se passou a ser necessário oferecer mais ajuda nessas situações.
Também vale relatar mudanças de linguagem, orientação, julgamento ou comportamento, caso apareçam junto com os esquecimentos. Uma piora gradual ou uma mudança percebida por familiares não confirma, por si só, Alzheimer ou outra demência. São informações que ajudam o médico a decidir o que precisa ser investigado. Para compreender o que significa o termo, veja também o conteúdo sobre demências e alterações da memória.
O que a família pode observar antes da consulta?
Anotar exemplos concretos costuma ser mais útil do que registrar apenas que a pessoa está “mais esquecida”. A família pode marcar quando percebeu a mudança, com que frequência acontece e se houve alguma alteração na rotina ou na autonomia.
Por exemplo, é diferente esquecer uma vez um compromisso e passar a perder compromissos repetidamente. Registrar o que ocorreu, em que contexto e como afetou o dia a dia ajuda a descrever o padrão sem transformar uma impressão em diagnóstico.
Também é importante reunir informações sobre problemas de saúde, mudanças recentes e medicamentos em uso. Essa lista deve ser levada à consulta para que o médico avalie o contexto. Não interrompa nem altere remédios por conta própria: converse com o seu médico antes de mudar qualquer remédio.
Sempre que possível, a pessoa que apresenta os esquecimentos deve participar da conversa. Um familiar próximo pode complementar o relato com situações que observou, respeitando a participação e a autonomia do paciente.
Na avaliação, o neurologista considera a história e o efeito das mudanças na vida diária, além de examinar a memória e outras funções cognitivas, como linguagem e orientação. Conforme o caso, pode decidir se são necessários exames. Um único teste, isoladamente, não explica todas as situações nem substitui a avaliação médica. Informações sobre como podem aparecer os sinais precoces de Alzheimer também não substituem essa investigação individual.
O Dr. Felipe Saba atende neurologia geral, incluindo queixas de memória e demências. Para entender como funciona uma consulta, consulte a página sobre consulta com neurologista.
Quando procurar o pronto-socorro?
Uma mudança gradual de memória, sem sinais súbitos de urgência, deve ser conversada com um neurologista. Já uma confusão que começa de repente precisa de atendimento imediato, sobretudo se vier acompanhada de boca torta, fraqueza ou dormência de um lado do corpo, fala enrolada ou perda súbita de força ou fala.
A pior dor de cabeça da vida e uma convulsão também são sinais de alerta. Nessas situações, vá imediatamente ao pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU). Não espere uma consulta agendada para buscar atendimento diante de sintomas súbitos.
Conheça a página sobre Alzheimer e memória do Dr. Felipe Saba.
Para mudanças graduais de memória, uma consulta pode ajudar a esclarecer o que está acontecendo e quais são os próximos passos. O Dr. Felipe Saba atende em Campinas, Bragança Paulista e Amparo. Para agendar, use o botão de WhatsApp do blog.
Referências
- McKhann GM et al. 2011. The diagnosis of dementia due to Alzheimer's disease: recommendations from the National Institute on Aging-Alzheimer's Association workgroups. Alzheimer's & Dementia.
- Livingston G et al. 2020. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. The Lancet.