Distúrbios do movimento
Cirurgia de DBS para Parkinson: quem pode fazer
Pacientes com Parkinson avançado que não controlam sintomas bem com medicamentos e mantêm boa resposta à levodopa podem ser candidatos à DBS após avaliação.

Quem pode fazer a cirurgia de DBS para Parkinson são pacientes com doença de Parkinson confirmada que, mesmo com os remédios ajustados, têm flutuações motoras importantes e discinesias incapacitantes, mas ainda apresentam boa resposta à levodopa. É preciso também não haver demência avançada, nem transtornos psiquiátricos descompensados, e as condições clínicas devem permitir uma cirurgia. A indicação final vem de uma avaliação especializada e individualizada.
Critérios clínicos para indicação de DBS
A estimulação cerebral profunda, ou DBS, é um tratamento que ajuda a controlar sintomas motores. Ela não cura o Parkinson. Em geral, os principais critérios considerados são:
- Diagnóstico confirmado de doença de Parkinson idiopática. O quadro típico inclui bradicinesia, muitas vezes com tremor de repouso e rigidez. Quando há dúvida diagnóstica, a cirurgia deve ser adiada até esclarecer. Saiba mais sobre como o diagnóstico é feito em Doença de Parkinson: diagnóstico e tratamentos avançados.
- Flutuações motoras e discinesias incapacitantes apesar de medicações otimizadas. São os períodos de “desligar” e “ligar” que atrapalham muito o dia a dia, além de movimentos involuntários causados pelo tratamento.
- Boa resposta à levodopa. Em geral, quem responde bem à levodopa tende a responder melhor à DBS. Essa resposta é avaliada em consulta. Não ajuste ou suspenda medicamentos por conta própria. Sempre converse com o seu médico antes de mudar qualquer remédio.
- Tremor difícil de controlar apesar dos remédios. Tremor que não cede às medicações pode melhorar com DBS, quando há os demais critérios. Se o tremor é o único sintoma, sem lentidão, pode ser outra condição, como tremor essencial. Veja diferenças em Tremor essencial: causas, diagnóstico e o que diferencia do Parkinson.
Se você quer uma visão geral do que o tratamento consegue alcançar, inclusive limitações, vale ler Parkinson tem cura. O que o tratamento consegue fazer.
Avaliação pré-operatória
Antes de indicar a cirurgia, o neurologista realiza uma avaliação estruturada. O objetivo é confirmar o diagnóstico, medir o impacto dos sintomas, avaliar segurança e alinhar expectativas.
- Consulta neurológica detalhada. História clínica, exame neurológico e padronização da resposta à medicação para entender o padrão de benefício e de efeitos adversos.
- Exames de imagem. A ressonância do encéfalo auxilia no planejamento cirúrgico e na exclusão de alterações que elevem o risco.
- Avaliação neuropsicológica. Identifica problemas de memória, atenção e comportamento. Demência avançada costuma contraindicar a DBS para Parkinson.
- Condições clínicas gerais. Avaliação cardiológica, risco anestésico e controle de comorbidades, como pressão alta e diabetes.
- Expectativas e objetivos. A DBS ajuda a reduzir flutuações, discinesias e tremor, e pode permitir reduzir doses em alguns casos. Ela não interrompe a progressão da doença. Os ajustes do estimulador são feitos em consultório e exigem acompanhamento regular. Um panorama prático das etapas está em Estimulação cerebral profunda: indicações e cuidados.
Para entender como é feita a seleção de candidatos e o passo a passo, você pode consultar também a página de serviço do Dr. Felipe Saba sobre avaliação para DBS.
Contraindicações e limitações
- Demência avançada ou comprometimento cognitivo importante. A cirurgia tende a trazer menos benefício e pode piorar autonomia e humor.
- Transtornos psiquiátricos não controlados, como depressão grave, ansiedade intensa ou psicose ativa. É fundamental estabilizar primeiro com o psiquiatra.
- Doenças clínicas que aumentam o risco cirúrgico, como problemas cardíacos graves, distúrbios de coagulação ou infecções ativas.
- Diagnósticos que não são Parkinson idiopático ou parkinsonismos atípicos, que em geral respondem pouco à DBS.
- Expectativas irreais. A DBS não devolve o estado “normal” e não substitui o tratamento clínico. Ela complementa o tratamento para controlar sintomas motores.
Próximos passos após a indicação
- Planejamento e consentimento. A equipe explica benefícios, riscos e alternativas, e define o alvo cerebral e a estratégia cirúrgica. O consentimento informado é essencial.
- Implante e recuperação. Após a cirurgia, o gerador é ligado e começa a fase de programação, com ajustes em consultório ao longo das primeiras semanas.
- Programação e ajustes periódicos. O estimulador é ajustado pelo neurologista para equilibrar controle dos sintomas e efeitos colaterais. As consultas de seguimento continuam, e os remédios podem ser revistos pelo médico conforme a resposta. Não mude nada sozinho. Sempre converse com o seu médico antes de alterar medicações.
- Reabilitação e rotina. Fisioterapia, fonoaudiologia e atividade física ajudam a potencializar os ganhos funcionais.
Quando procurar o pronto-socorro
Vá ao pronto-socorro imediatamente ou ligue 192 se houver um ou mais dos seguintes sinais de alerta:
- Boca torta, fraqueza ou dormência em um lado do corpo.
- Fala enrolada ou dificuldade súbita para falar ou entender.
- A pior dor de cabeça da vida.
- Convulsão.
- Perda súbita de força, visão ou confusão que começa de repente.
Como o Dr. Felipe Saba pode ajudar
O Dr. Felipe Saba, neurologista CRM-SP 140260, RQE 76598, é especialista em distúrbios do movimento, com formação em fellowship no Instituto Carlo Besta, em Milão, e atua como médico colaborador do Ambulatório de Distúrbios do Movimento da Unicamp. Ele realiza a avaliação para DBS, acompanha o pré e o pós-operatório e faz a programação do estimulador. Atende em Campinas, Bragança Paulista e Amparo, e também por teleconsulta.
Conheça a avaliação para DBS com o Dr. Felipe Saba.
Se você ou um familiar tem Parkinson e quer saber se a DBS é uma opção, agende uma consulta com o Dr. Felipe Saba pelo botão de WhatsApp do blog.
Referências
- Postuma RB et al. 2015. MDS clinical diagnostic criteria for Parkinson's disease. Movement Disorders
- Deuschl G et al. 2006. A randomized trial of deep-brain stimulation for Parkinson's disease. New England Journal of Medicine
- Schuepbach WMM et al. 2013. Neurostimulation for Parkinson's disease with early motor complications. New England Journal of Medicine